CORREÇÃO
Lula chegou à Presidência da República em 2002, e não em 2000, como foi publicado no artigo do último dia 05 (Tá dominado) e já corigido.
Blog do advogado e jornalista Nilson Vieira Ferreira de Mello Jr., publica artigos regulares sobre direito tributário e direito regulatório com inferências nas áreas política e econômica
quinta-feira, 23 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
O que nos mostra a MP dos Portos
São nos momentos críticos que o Congresso revela o seu
lado mais insólito. Na noite desta quinta-feira, no Senado, e na madrugada do
mesmo dia, na Câmara, durante a votação a “toque de caixa” da Medida Provisória
595, o que se viu foi muito bate-boca quanto à forma e nenhum debate de fundo.
Mas também não poderia ser
muito diferente. Primeiro porque há muito o Executivo trata o Parlamento como um
Poder acessório, do qual espera mero cumprimento de agenda. E o Legislativo
acostumou-se a negociar e tirar proveito da suposta submissão.
Em segundo lugar porque não haveria mesmo tempo para
uma análise detida das regras que estabelecem o novo marco regulatório do setor
portuário. A MP caducaria nesta quinta-feira caso o Senado não a
aprovasse e a enviasse para a sanção presidencial.
A relevância da matéria tratada na medida é
inquestionável, o que nos leva a reconhecer, nesse particular, o mérito do
governo. O tema é tão importante e complexo que não deveria ser encaminhado como
MP e sim como Projeto de Lei.
Mas o governo do PT, que no passado deplorava o
uso das “autoritárias” MPs, acha que tem o monopólio das boas intenções. Então, processo legislativo para quê? E, dentro dessa linha de raciocínio, entende a “submissão” do Congresso como estável e irretratável. Do outro lado, contudo, o oportunismo parlamentar sempre espera arrancar mais um naco de
vantagens e favorecimentos em negociações pontuais.
Convenhamos, não é tão fácil assim o papel do governo.
Coopta uma grande base partidária, fatiando a máquina pública, para não ter
entraves no Legislativo, e na hora “h” descobre que ainda tem que negociar um
pouco mais. Quem é o bobo na relação simbiótica?
A vítima disso tudo sabemos que é a sociedade, que
paga o alto preço de um Estado ineficiente e perdulário, como resultado de cargos preenchidos
por critérios políticos.
O mais inusitado de tudo é que, em meio à balbúrdia e os ensaios de barganha, o
novo marco regulatório pode realmente cumprir o seu objetivo, de modernizar o setor. Para tanto o Planalto precisa cumprir a promessa de expurgar as "cascas de banana” inseridas no texto
que a Câmara aprovou. Precisa vetar o limite de 5% à
participação de empresas de navegação em novos terminais, a prorrogação dos contratos dos terminais públicos, e o conceito de terminal-indústria. Esses dispositivos impediriam a ampla concorrência
capaz de reduzir os custos operacionais.
Por falta de regras claras que inibem os
investimentos, o Brasil tem hoje uma das piores logísticas portuárias do mundo.
No ranking do Fórum Econômico Mundial, o país está 135º lugar nesse quesito, entre 144
países.
Seria natural então que parlamentares de partidos de
oposição, em especial PSDB, que sempre criticaram os gargalos logísticos,
contribuíssem para a aprovação de uma Lei que eliminasse esses obstáculos. Mas preferiram obstruir a matéria, não por seu
conteúdo, mas pela forma como foi encaminhada. Ao colocar o interesse do país
em segundo plano, aparentemente para evitar uma vitória do governo, juntaram-se
aos oportunistas e perderam duplamente.
Não é insólito este nosso Congresso?
Por Nilson
Mello
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Tá dominado (ou a flexibilidade moral)
Stand by: Afif Domingos
se vê como um estepe político
O recém-empossado secretário nacional da Micro e Pequena Empresa, cargo com status de ministro, era um político reconhecido como de orientação liberal, na correta acepção do termo (a acepção britânica, se preferirem), ou seja, alguém que defende a liberdade individual com respeito incondicional à Lei, o pleno espaço para o empreendedorismo e, por extensão a tudo isso, a menor interferência estatal possível nas relações econômicas como fatores de desenvolvimento.
Muito bem, é difícil dizer se o vice-governador de São Paulo e agora também, cumulativamente, titular do 39ª Ministério criado por Dilma Rousseff, estava sendo autêntico ou meramente oportunista, mas o fato é que Guilherme Afif Domingos presidiu a Associação Comercial de São Paulo por duas vezes, foi deputado constituinte, secretário estadual em mais de uma pasta, em diferentes gestões, e fundou o Partido Liberal, além de ter exercido outros cargos eletivos e executivos de relevância, não exatamente nesta ordem, sempre em função da defesa do mesmo, digamos, ideário político.
Um dos pontos marcantes dessa trajetória, que lhe valeu certa projeção nacional, ocorreu há mais de duas décadas, quando Afif se candidatou à Presidência da República em meio a um amplo espectro político que tinha no extremo oposto o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, então na sua primeira tentativa de chegar ao Poder. Na época, Lula era o “sapo barbudo” - conforme apelido cunhado por outro concorrente ao Planalto – que ostentava uma retórica de esquerda contrária à livre iniciativa defendida pelas teses liberais.
A retórica de Lula, como sabemos, foi sendo pragmaticamente abrandada até ser deixada de lado para que o PT finalmente chegasse à vitória na campanha de 2002. Lição feita: pela via democrática, o radicalismo não alcança o Poder.
Não parou aí: o próprio programa de governo nos dois primeiros mandatos petista foi alterado para dar sequência à política econômica da “social-democracia” tucana, garantindo a estabilidade de preços, o crescimento sustentável e a consequente melhoria da renda, conquistas hoje colocadas em xeque pelos impulsos criativos da gestão Dilma Rousseff, e em especial de seu ministro da Fazenda.
Ponto para a incongruência, dúvida quanto ao retrocesso. Vale notar que o programa econômico tucano, centrado na defesa da moeda (combate à inflação) e na responsabilidade fiscal, tinha nítida inspiração liberal. Não sei se os tucanos são moralmente superiores, mas, com certeza, são tecnicamente mais qualificados.
Afif Domingos, hoje no híbrido PSD do politicamente ambíguo Gilberto Kassab (com licença para as adjetivações), aliado do PSDB e do PT ao mesmo tempo, pertenceu ao PDS, herdeiro da Arena, e ao PP de Paulo Maluf, esse também um neo-aliado petista. Com o respaldo de sua legenda, agora passa a contribuir para o projeto de reeleição de Dilma Rousseff.
Há duas formas de se ler esses movimentos, tendo em vista a perspectiva histórica sumariamente referida aqui. A primeira é positiva e entende que a conciliação de oponentes e a convergência de ideias na política brasileira revelam um genuíno amadurecimento da classe política no interesse da sociedade e na busca do que é melhor para o país. A guinada de Lula na gestão econômica, mencionada acima, contradizendo tudo o que o PT pregava, reforçaria essa leitura benevolente?
A segunda leitura é desalentadora: as alianças têm como real e único objetivo a partilha da máquina pública e a sua transformação em mero butim, atendendo a interesses privados, embora sob o manto de agremiações políticas (partidos). Aqui, há ainda uma interpretação subjacente. O fatiamento da máquina pública compra o engajamento de adversários, em troca da perpetuação no Poder. Os adversários cooptados são úteis, embora não sejam inocentes. Ser oposição para quê, se o adesismo tudo provê?
Retomemos a reflexão inicial. Ideias e teses podem ser boas e os homens, ruins. No Brasil, teses de inspiração liberal sempre padeceram (raras as exceções) de bons defensores, sejam eles políticos ou partidos. E por isso sempre estiveram associadas ao oportunismo, para dizer o mínimo. O fato de ter pouco ou nenhum apelo popular, pois a rigor se opõem a qualquer forma de assistencialismo, também as lançaram no estigma.
Afif Domingos avisou que não vê incompatibilidade em acumular o cargo de ministro com o de vice-governador de São Paulo. Disse que só renuncia se a Justiça mandar, porque para ele “vice já é licenciado, um stand by” – ou um estepe político, se preferirem. Espírito público, no Brasil, é isso.
Por Nilson Mello
Em tempo: Ao ser questionada se um 39º Ministério não seria um sinal de inchaço da máquina, a presidente Dilma Rousseff respondeu que primeiro aumenta o governo para depois diminuir. Como ela chegou à Presidência com aura de boa gerente, torcemos para que esteja certa, a despeito de todos os indícios em contrário.
Por Nilson Mello
Em tempo: Ao ser questionada se um 39º Ministério não seria um sinal de inchaço da máquina, a presidente Dilma Rousseff respondeu que primeiro aumenta o governo para depois diminuir. Como ela chegou à Presidência com aura de boa gerente, torcemos para que esteja certa, a despeito de todos os indícios em contrário.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Conflito de
Poderes
Congresso Nacional
O descontentamento de senadores e
deputados com os órgãos de cúpula do Judiciário e do Ministério Público é de um
constrangimento sintomático. O razoável seria esperar o seu incondicional
alinhamento com o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República
na defesa da Lei e no combate à corrupção. Mas - e aí justiça seja feita –
preferem não pecar por hipocrisia: atingidos pelo julgamento do mensalão, não
tardaram a tentar urdir a forra, na forma de uma Proposta de Emenda
Constitucional (a PEC 33) que submete decisões da Corte ao
Congresso.
Nem todos os políticos e parlamentares
brasileiros estão envolvidos em escândalos de corrupção, agem em desacordo com a
Lei e a ética ou comungam das tentativas de se subtrair competências e
prerrogativas do Judiciário e do Ministério Público. Não seria errado dizer que
uma minoria age de má-fé. Contudo, é preocupante que uma proposta cujo desfecho
seria a submissão do Supremo ao Congresso possa avançar dentro de uma Comissão
da Câmara (a de Constituição e Justiça) que tem como papel primordial justamente
alterações constitucionais.
Sim, claro, é lá na CCJ que matéria
constitucional deve ser discutida, mas, todos sabem que cláusula pétrea, como a
separação dos Poderes, só se muda com nova Constituinte. Neste aspecto,
contraditoriamente, os deputados da Comissão capricharam na hipocrisia. Ou
demonstraram total desconhecimento de causa. Difícil dizer o que é mais
desalentador.
Ouvido pelos jornais sobre o episódio, o
jurista e ex-ministro do STF Francisco Rezek não disfarçou o espanto: “Estão
pretendendo se tornar, no lugar do STF, os controladores de uma carta que com
certeza não leram”.
A prevalência de iniciativas como a referida
PEC talvez signifique que o comando das Casas Legislativas e as lideranças dos
partidos no Congresso não estejam sendo exercidos pelos melhores quadros entre
aqueles escolhidos pelo eleitor. E isso na melhor das hipóteses. Na pior,
significaria mesmo um Legislativo majoritariamente
degenerado.
Iniciativas como a PEC 33 revelam que um
Congresso afeito a barganhas com o Executivo, com o qual negocia quinhões da
máquina pública em troca de apoio a projetos e ações de valor discutível, não
quer ter no calcanhar um Judiciário inconveniente. Lembre-se que faz poucos dias
esse Legislativo colocou em debate a supressão da competência do Ministério
Público para investigar e atuar dentro do inquérito policial. A que tipo de
parlamentar interessa o cerceamento dos outros Poderes
institucionais?
O grau de “simbiose” que hoje rege as
relações entre Executivo e Legislativo tornam esses impulsos autoritários muito
mais graves, pois que insinuam uma articulação subalterna, dentro de um projeto
de Poder de caráter indeclinável. É neste contexto que também estamos
autorizados a interpretar a oportunista tramitação no Congresso de projeto que
limita a criação de partidos atentando contra os princípios democráticos que à
sociedade, até prova em contrário, interessa preservar.
A propósito, a paralisação de seu trâmite por
força de liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, só veio reforçar
a importância do princípio da separação dos Poderes que a mencionada Comissão de
Constituição e Justiça da Câmera almejou desmanchar com a sua PEC 33. Não custa
lembrar que dentro deste espírito tem sido igualmente recorrente as tentativas
de cercear a imprensa, a partir da edição de leis eufemísticas cujo desfecho
seria o controle da opinião, a exemplo do que já ocorre em países
vizinhos.
Para os presidentes do Senado e da Câmera,
Renan Calheiros e Henrique Alves, respectivamente (ambos, por sinal, envolvidos
em escândalos de desvios e corrupção), a liminar concedida por Gilmar Mendes foi
uma “inaceitável intromissão” no processo legislativo. Como se o Supremo não
tivesse sido instado, no caso, a se pronunciar, como determina a Constituição, a
qual lhe cabe a guarda.
Nota: A propósito de Guarda e de Gilmar
Mendes, curioso notar que é de sua autoria a apresentação da edição brasileira
(Editora Del Rey) de “O Guardião da Constituição”, de Carl Schmitt. A despeito
de ter sido um dos maiores juristas da primeira metade do Século XX, Schmitt
negava ao Judiciário, como bem lembra Mendes na apresentação, “o título de
guardião da Constituição”, atribuindo o papel ao chefe do Executivo. Acabou
contribuindo com suas ideias para a ascensão e fortalecimento de Hitler na
frágil República de Weimar, o que lhe valeu a alcunha de “Jurista do
Nazi-fascismo”. No caso brasileiro, a diferença é que a exceção constitucional
prevista por Schmitt vem sendo tentada por via indireta, ou seja, por meio de
relações espúrias entre Executivo e Legislativo.
Por Nilson Mello
terça-feira, 30 de abril de 2013
Comentário do Dia
Nossos custos, nossos rankings
No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2012, o
Brasil figura em 85º lugar, entre 187 nações. No índice de desigualdade,
estamos ainda pior, doze posições atrás (97º), abaixo da média da América
Latina. Vejam só!
Enquanto nosso coeficiente Gini é de 0,561, o da Colômbia,
por exemplo, é de 0,519. O Gini é o indicador que leva o nome de seu criador, o
estatístico italiano Corrado Gini, e pelo qual 0 corresponde à igualdade
absoluta. O índice médio da AL é de 0,555.
Como não tem havido melhora significativa no combate à
desigualdade – ao contrário -, é justo questionar o impacto dos programas de
transferência de renda do governo.
Tais programas serviriam mais à prática da demagogia e
do assistencialismo, em troca de voto, do que a uma verdadeira política de
melhoria da renda e de desenvolvimento social?
Mudemos de índice, com a reflexão em aberto.
No PISA, o ranking que mede o desempenho escolar, o
Brasil está em 53º lugar entre 65 países. Investimos o suficiente e da forma
correta em Educação?
Passemos adiante. Bem adiante.
No ranking de eficiência portuária, elaborado pelo
Fórum Econômico Mundial, o Brasil, apesar de ser a 7ª economia do mundo pela
medida do PIB (Produto Interno Bruto), está na 135ª posição, entre 144 países.
O que significa que temos, no quesito eficiência portuária, de acordo com os
levantamentos do Fórum, um dos dez piores desempenhos. O que falta?
Investimentos.
No final do ano passado o governo baixou um pacote portuário,
anunciado com pompa e circunstância (como é de costume no marketing petista)
como o novo marco regulatório do setor, capaz de atrair R$ 54 bilhões em
investimentos na modernização e melhoria dos portos arrendados e privativos,
além da construção de novos terminais.
O propalado pacote foi baixado de forma autoritária,
por meio de uma Medida Provisória (a MP 595), e gerou tanta insatisfação que
mais de 600 emendas foram apresentadas – uma colcha de retalhos, repleta de
inconsistências conceituais e restrições legais aos empreendedores privados
que, caso venha a ser transformado em Lei pelo Congresso, não será capaz de
cumprir o seu papel.
Estruturamos uma legislação trabalhista protetora do
trabalhador, mas que é altamente contrária ao emprego pelos seus altos custos.
A tese pode ser de difícil defesa, num período como o atual, em que se
registram baixos índices de desemprego (pouco acima dos 5% da parcela da
população ativa).
Mas o fato é que o custo do trabalho para o empregador
variando entre 65% e 183%, de acordo com as estatísticas e com o segmento
pesquisado, é com certeza algo que está na contramão do dinamismo econômico
que, no discurso, se pretende dar ao Brasil. (Obs: A propósito dos custos do
trabalho no país, vale a leitura da matéria da repórter Lucianne Carneiro, no
jornal O Globo, desta terça-feira 30
de março, conforme link abaixo).
O que tudo isso tem a ver?
Bem, essas estatísticas são um retrato do modelo
econômico engendrado pelo governo na última década. Um modelo que estimula a
expansão do consumo, ao invés de criar condições para o aumento dos
investimentos. O Brasil investe menos de um terço de seu PIB (boa parte dele
por meio da iniciativa privado, já que o orçamento fica comprometido com os
gastos correntes), enquanto os países emergentes concorrentes chegam a investir
mais de 50% das riquezas que produzem.
Esse modelo que faz com que a população, sobretudo a
de baixa renda, tenha uma sensação (que é falsa e será necessariamente
passageira) de progresso, por ter tido facilitado o seu acesso (o que é justo)
aos bens de consumo. Contudo, os indicadores sociais e de educação, para quem os
quer enxergar, não deixam margem às falsas ilusões. Consumo, por si só, não é
desenvolvimento.
Detalhe macro: a inflação galopa na garupa da baixa
produtividade do modelo, porque é um reflexo da ineficiência que resulta
dos altos gastos e do reduzido investimento.
Parafraseando a velha propaganda da “Nossa Terra,
nossa gente”, eis aí os nossos custos e os nossos rankings. Sem qualquer
orgulho!
Por Nilson
Mello
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Comentário do Dia
Em linha com o que foi publicado neste Blog na semana passada, sobre a
fantasmagórica “política da inflação”, o ex-presidente do Banco Central Gustavo
Loyola lembra, em artigo neste domingo em O Estado de S. Paulo (texto no
link abaixo), que “não é comprometendo a responsabilidade fiscal e a autonomia
do Banco Central que se eleva o potencial de crescimento”.
Loyola ressalta que a
política de dispêndios e desonerações adotada pelo governo produziu aumento de
consumo, mas não foi capaz de gerar crescimento porque a Economia brasileira
continua pouco produtiva e ineficiente. A produtividade, como sabemos, viria dos
investimentos, sobretudo em infra-estrutura.
“A insistência no
expansionismo fiscal e monetário apenas agrava o processo inflacionário”, ensina
Loyola. Será que os diretores do BC, o ministro da Fazenda e a presidente da
República leram?
Vale conferir:
quinta-feira, 25 de abril de 2013
A assombração de uma política
errática
No debate
sobre taxa de juros e inflação, a lucidez raramente prevaleceu no Brasil. E é
isso o que explica termos convivido por décadas com um regime de hiperinflação
que corroía a renda, desorganizava as empresas e inibia os investimentos,
comprometendo o crescimento.
Agora que os índices de
inflação estouraram o teto da meta e persistem há meses em patamares elevados, é
legítimo indagar se faltou lucidez ao governo e ao Banco Central quando
decidiram promover um processo de redução das taxas básicas de juro sem que
houvesse um ambiente fiscal equilibrado.
Não é possível abrandar a política
monetária quando se tem um quadro fiscal degradado - representado por excessos
de gastos públicos. Ou o que se pretendia mesmo era estimular a inflação?
A pergunta é meramente
retórica, pois certamente não era essa a ideia da equipe econômica e do Banco
Central, tanto que agora, em sua última reunião do dia 17, o Comitê de Política
Monetária (Copom) voltou a subir a taxa básica de juro (em 0,25%, para 7,5%), a
fim de combater a persistente e generalizada alta dos preços.
O que o governo e o BC conseguiram com sua
condução errática foi comprometer a credibilidade de suas ações, aumentando o
custo do próprio combate à inflação daqui para frente. Em outras palavras, a
volta dos preços a níveis mais comportados deverá levar mais tempo e exigir
maior esforço. Um quadro de incertezas no horizonte.
A desinformação, que é uma
faceta da falta de lucidez mencionada de início, conjugada a uma propaganda de má-fé, induz parte da sociedade a acreditar num equívoco: o de que os juros
são altos por obra de um conluio capitalista, para beneficiar banqueiros. O
sistema financeiro, de fato, se beneficia de juros elevados. Contudo, os fortes
gastos públicos são a verdadeira causa das altas taxas praticadas no Brasil.
São esses gastos excessivos que obrigam a autoridade monetária, se responsável,
a adotar uma política mais restritiva.
Juros altos são
indesejáveis, mas não podem ser vistos como causa do problema, ou o problema em
si. Este Blog abordou o assunto em diversos artigos nos últimos três anos (a pesquisa pode ser feita no quadro à
direita desta página), o último deles no dia 25 de janeiro.
O mais curioso e – por que
não dizer? – dramático é que o governo esforçou-se para ampliar o crédito e
baixar os juros, a despeito dos evidentes riscos inflacionários que a sua inconsistência
fiscal ensejava, com o objetivo de estimular os investimentos e o crescimento
econômico, mas o desempenho, como se viu, foi pífio, o pior entre os principais
países emergentes. Com a agravante de que, gora, tem que ter uma preocupação
ainda maior com a inflação, de volta como assombração à memória de todos.
O consumo se expandiu, mas a
economia patinou na ineficiência e o desenvolvimento não se sustentou. O que
faltou então para que os investimentos se concretizassem, impulsionando o
crescimento? Faltou uma política econômica mais clara e coerente, além de um
ambiente regulatório mais confiável, sem as incertezas jurídicas que continuam
a inibir o empreendedor. Em suma, faltou lucidez. E o que resta agora ao
governo é fazer a lição. Será capaz?
Por Nilson Mello
Comentário:
Comentário:
“Excelente sua
posição em relação à politica econômica, 'macaco em loja de louça', do nosso governo. Remendo de última hora é o
que vem sendo feito. Pior, agora são remendos como suporte de palanque
eleitoral.” - Luis Eduardo Simões Lopes - Engenheiro e Empresário
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