"Depois da bela e empolgante campanha empreendida
no segundo turno das eleições presidenciais do ano passado, ficamos muito
frustrados com o resultado das urnas. Mas, agora, pensando friamente, talvez
tenha sido melhor, ou menos pior, assim. Porque, o ajuste fiscal, decorrente da
heterodoxia (vamos, educadamente, chamar assim) da política econômica do
primeiro mandato da presidente Dilma, teria que ser enfrentado de qualquer
maneira. Sob pena, caso não fosse feito (e caso não seja levado a cabo), do
completo esfacelamento da nossa economia. Melhor que essa tarefa esteja sendo
(ainda que a contragosto) tocada (até quando?) pelo governo petista. Porque, se
o Aécio ganhasse, anunciado o ajuste, o PT iria deitar e rolar. No mínimo, iam
dizer: “Vocês não votaram no Aécio? Nós bem que avisamos: taí a política
neoliberal do tucanos. Agora agüentem”. E por aí afora. Como acaba de ser, mais
uma vez, comprovado com a vitória do Syriza na Grécia, a não ser talvez em
países com elevadíssimos níveis de consciência política, em geral, o povo tem
horror a políticas de austeridade. É , de fato, muito difícil para o eleitor
identificar e reconhecer os bons efeitos de longo prazo de um governo
responsável. Se o PSDB tivesse ganhado a eleição, possivelmente, nunca mais se
aprumaria no Brasil. E, em 2018, assistiríamos à volta triunfal de Luiz Inácio
ao poder. Luiz Inácio sim, porque, se o sangue pode não ser, o fígado do homem
é bom. Resiste a tudo e a todos. Certamente, ele chegaria lá firme e forte. E
se, por acaso, não chegasse, outro, ainda pior do que ele, chegaria. Sabe-se lá
com que desfecho posterior".
Blog do advogado e jornalista Nilson Vieira Ferreira de Mello Jr., publica artigos regulares sobre direito tributário e direito regulatório com inferências nas áreas política e econômica
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Artigo
Joaquim e o custo do emprego
Ministro Pepe Vargas promote defender interesses do governo
A necessidade de retomar o
equilíbrio fiscal, após o desmanche nas contas públicas operado no primeiro
mandato de Dilma Rousseff, é tão urgente que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy,
começa a pensar em atalhos para alcançar o objetivo.
Comenta-se que a nova equipe econômica deparou-se com
um quadro ainda mais deteriorado do que supunha e vem se surpreendendo
diariamente com as arrojadas manobras feitas pelo governo nos últimos anos.
As “pedaladas” contribuíram para derrubar a
credibilidade da política fiscal, atingiram os bancos oficiais e agora estão
sob a mira do TCU.
Descobriu-se recentemente (jornal O Estado de S. Paulo) que, na alquimia da “maquiagem”, o Tesouro
engordava o caixa de forma fictícia retendo repasses obrigatórios aos bancos
federais, em especial à Caixa, o que os impedia de fazer frente a programas
como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Uma ilegalidade grosseira gerando
distorções em cadeia.
Muito bem, como nada nas contas públicas era
exatamente o que parecia ser e, tendo em vista que o crescimento da economia
este ano (previsão de 0,4% de avanço do PIB) será igualmente medíocre, por
força de uma condução macroeconômica desastrada, o que elimina a possibilidade
de aumento natural da arrecadação, era esperado que houvesse elevação de
tributação para tapar os rombos.
Antes mesmo da
posse se falava numa reativação da Cide, a contribuição que incide sobre os
combustíveis (ver artigo de 17 de
novembro neste Blog acessando a Pesquisa na barra lateral à direita), assim
como o fim de uma série de desonerações, sobretudo de IPI.
Mas eis que Joaquim Levy – talvez assustado com a
realidade com a qual se deparou – acenou esta semana com a possibilidade de
aumentar a tributação sobre os prestadores de serviços, assinalando que muitos
atuam como pessoas jurídicas, mas são, na verdade, empregados disfarçados.
“Há uma discrepância entre os assalariados com
carteira assinada, que recolhem IR com alíquotas de 7% a 27,5%, e parte dos
prestadores de serviços que atuam como pessoas jurídicas e pagam cerca de 4%”,
afirmou, acrescentando que pretende encaminhar ao Congresso um projeto de lei
ainda este ano aumentando o IR deste segmento.
Não é bem assim: pessoas jurídicas do setor de
serviços chegam a pagar mais de 16% de IR, mesmo aquelas que se enquadram no
regime “diferenciado” do Supersimples. Além disso, um aumento poderá até
eliminar os assalariados disfarçados de empresários, como pretende o ministro
da Fazenda, mas punirá as verdadeiras empresas de serviços, já apertadas pela
sanha arrecadadora do Estado. Mais uma distorção?
De qualquer forma, o ministro das Relações
Institucionais, Pepe Vargas, se alinhou com a proposta da Fazenda e, como bom
soldado, avisou que “defenderá os interesses do governo no Congresso” fazendo
aprovar o projeto. Não são os interesses da sociedade que deveriam ser
defendidos?
Compreende-se a angústia de Joaquim Levy. Mas o foco
da discussão tem que ser alterado. Uma economia que enfrenta (o verbo não pode
ser outro) uma carga tributária superior a 36% do PIB não deve suportar mais
tributação, sobretudo num momento em que tenta se recuperar. A reativação da
Cide e o fim das desonerações até se admite, diante do quadro emergencial, mas
aumento linear de impostos sobre um segmento só tende a gerar mais informalidade e evasão.
Espera-se o dia em que um governo corajoso trocará
medidas imediatistas por uma reforma ampla que não apenas reduza a carga
tributária como garanta racionalidade ao sistema. Diminuir a incidência de
tributos sobre a produção e o consumo e simplificar normas parecem ser mudanças
óbvias - estímulos sustentáveis à atividade econômica, em círculo virtuoso.
Outra medida indispensável seria tornar o emprego mais
barato via redução significativa dos encargos que incidem sobre a folha. O custo do salário não pode continuar a ser mais
de 100% de seu valor, como ocorre hoje. Embora saibamos que nenhum governo
populista tomará tal iniciativa, não custa apontar o caminho, ao menos para
enriquecer o debate.
Dados da Receita Federal, com base nas declarações de
renda de 2010, revelam, segundo o especialista José Paulo Kupfer, que o Brasil
se tornou uma nação de “empresários” uma vez que sócios de pessoas jurídicas e
autônomos somam 31% mais do que os assalariados no setor privado. Distorção que
decorre do alto custo do emprego. Trata-se de uma questão de sobrevivência
tanto para o empregador quanto para o empregado.
Vamos enfrentar o problema, ministro, ou o deixaremos
para um próximo governo?
Por Nilson
Mello
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Artigo
Um novo
ministério
Interesses partidários moldam a máquina pública
Bom
seria se não precisássemos nos ocupar tanto do governo. Que tivéssemos outros
assuntos. Mas o protagonismo errático de nossos dirigentes joga o intuito por
terra. Novo ministro da Ciência e Tecnologia, já nomeado pela presidente Dilma
Rousseff, Aldo Rebelo, que deixou a pasta dos Esportes, acha que “inovação não
pode significar perda de postos de trabalho”. Já nomeado para a Educação, o
ex-governador do Ceará Cid Gomes acredita que professor deve “trabalhar por
amor”, ou seja, não precisa ganhar bem e nem deve se preocupar com salário.
Não se
tem notícia ainda de declarações emblemáticas de Eduardo Braga, ex-governador
do Amazonas, nomeado para o Ministério das Minas e Energia, ou de Eliseu Padilha,
escolhido para assumir a Secretaria Especial de Aviação Civil, sobre as suas
respectivas pastas, mas é certo que nenhum dos dois é especialista na área que
comandará. Entre os outros nove nomeados esta semana para o Ministério do
segundo mandato, alguns até são técnicos, mas de pouca expressão porque
igualmente definidos nos quinhões político-partidários.
Sejamos realistas, ministros até não precisam ser técnicos – às
vezes é bom que não o sejam, para não perder a dimensão estratégica de seu
Ministério. Mas é recomendável, ao menos, que tenham uma biografia, uma
trajetória profissional que os credencie para a missão. Que sejam de expressão, qualificados, comprometidos com objetivos mais elevados e não com os interesses de
seus partidos.
Hoje o
loteamento é levado às últimas consequências em nome de uma
“governabilidade” canhestra, executada à custa do desenvolvimento do país.
Dá-se à prática, eufemisticamente, o nome de “presidencialismo de coalizão”. A cada novo
governo, mandato ou reforma ministerial assiste-se a nova rodada de
esquartejamento da máquina pública federal. O padrão se repete nas esferas
estadual e municipal. O “resultado” é a descontinuidade das políticas de
Estado, ou a adoção de programas equivocados, com a eternização de nosso atraso,
em especial na área social.
O efeito
inexorável da inovação tecnológica é a progressiva e programada (a partir do
estabelecimento de prazos que permitam o treinamento e a alocação de mão de
obra em outros setores) perda de postos de trabalho em determinado segmento
econômico. A vantagem da inovação, contudo, é extraordinária porque ela propaga
a eficiência para toda a economia, melhorando o seu patamar de atividade,
multiplicando investimentos e oportunidades, diversificando negócios e relações
comerciais e, assim, criando uma nova gama de funções e postos de
trabalho de forma sustentável, com benefício para toda a sociedade.
Inovação
agrega valor à economia, o que é determinante para o aumento da renda. Não se
trata, portanto, de uma questão de escolha. Ou segue-se este caminho ou fica-se
condenado ao atraso, eternamente dependente do desenvolvimento tecnológico de
outras nações, sujeitando-se, por consequência, aos seus interesses.
Algum
assessor deveria tentar explicar ao ministro Aldo Rebelo que não se faz
inovação pela metade. Mas o voluntário deve estar ciente de que o novo titular da Ciência
e Tecnologia talvez prefira não entender. Se no passado era a religião a maior
barreira ao conhecimento, hoje é a ideologia que faz este papel, encobrindo a
verdade ou distorcendo a realidade. Aliás, que combinação diabólica domina o
Brasil hoje: o retrocesso ideológico associado ao mais vil patrimonialismo
manejado pelos agrupamentos partidários.
Rebelo ao
menos tem a sua “bengala”. A sua desculpa é a ideologia. E o que dizer do
ministro Cid Gomes? Como justificar a defesa que fez dos baixos salários dos
professores? Estupidez pura e simples?
Por Nilson Mello
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Cuba, os EUA e os portos brasileiros
Porto de Mariel, em Cuba: dinheiro brasileiro
Apesar do novo marco
regulatório do setor - a Lei 12.815, sancionada em junho de 2013 -, os
terminais portuários brasileiros seguem congestionados, elevando os custos para
a combalida cadeia produtiva nacional e comprometendo a já baixa produtividade
da economia brasileira. As raras exceções são os empreendimentos privados mais
recentes, mas mesmo esses têm sua eficiência em parte eliminada pelas precárias
interconexões rodoviárias e ferroviárias ou devido à falta de dragagens nos
canais marítimos.
Navio parado na “fila” à espera de atracação, como
ocorre no Brasil, é sinal de ineficiência – e prejuízo certo. Enquanto nos
principais portos do Mundo um navio leva menos de duas horas para
embarcar e desembarcar, no Brasil um navio chega a ficar dias à espera da
atracação, gerando atrasos em cascata, que subvertem o planejamento logístico e
jogam os custos para a estratosfera.
A nova Lei dos Portos, como é conhecida, até eliminou obstáculos que travavam os investimentos
(condição para a expansão do setor), como a absurda obrigação imposta aos
terminais privativos de movimentar carga própria de forma preponderante – o
que, evidentemente, afastava grande parte dos investidores. Ora, se minha razão
de ser é a logística portuária, movimentando cargas de terceiros, não posso ter
carga própria de forma preponderante, a não ser que deixe de ser o que sou.
A “armadilha”, criada, evidentemente, para resguardar
mal disfarçadas reservas de mercado (em especial, a dos terminais públicos arrendados,
que teriam que enfrentar novos competidores com uma concorrência ampla e aberta,
algo bom para o país, mas ruim para eles), impediu durante longo tempo que uma
nova leva de aportes fosse feita em terminais privativos nacionais.
Desfeito este nó, cujos resultados ainda demorarão
alguns anos para aparecer, outras barreiras, contudo, sobreviveram ao novo
marco regulatório – ou, o que é muito pior, vieram junto com ele. Entre elas
estão as elevadas e descabidas exigências de licenciamento para a expansão de
terminais já existentes ou as restrições para a ampliação de empreendimentos
dentro do Porto Organizado (Porto Público).
É como se o governo acertasse (?) pela metade,
anulando eventuais benefícios de suas próprias iniciativas. Não se trata apenas
de “determinismo ideológico” – algo que por si só afasta dos gabinetes de
Brasília qualquer vestígio de racionalidade econômica -, mas de incompetência
pura e simples.
Além de afastar os entraves burocráticos
remanescentes, permitindo o aumento significativo dos investimentos privados no
setor portuário (algo que está no espírito da Lei 12.815/2013), o governo deveria
se ocupar de, paralelamente, investir na melhoria dos acessos terrestres aos
terminais. As “filas” de navios e, consequentemente, a ineficiência dos portos
são também reflexo do sucateamento da infraestrutura em seu entorno.
Onde Cuba e Estados Unidos entram nesta história? Bem,
o Brasil financiou, via BNDES, a construção do porto cubano de Mariel. A obra
custou cerca de US$ 1 bilhão – com aproximadamente de R$ 90 milhões dados pelo Brasil a
fundo perdido (sem nada em troca). Não se tem notícia de nenhum terminal
brasileiro, público ou privado, que tenha recebido aporte tão generoso. Um
bilhão de dólares resolveria todos os entraves estruturais – melhoria dos
acessos rodoviário e ferroviário e integração intermodal - no Porto de Santos,
o maior da América Latina e por onde passa um quarto da balança comercial
brasileira.
Agora que Cuba e Estados Unidos reatam relações, o
governo mobiliza a sua propaganda para justificar o investimento em Mariel como
uma bem urdida estratégia para se beneficiar do provável fim do embargo
comercial à Ilha dos irmãos Castro. Potencialmente, e em tese, o fim do
embargo, quando acontecer (pois ainda depende de uma decisão do Congresso
americano), pode beneficiar o intercâmbio comercial de todas as nações do
planeta com Cuba. E, ainda assim, apenas potencialmente, porque por mais que a
demanda na ilha caribenha esteja reprimida, o aumento das transações comerciais
depende de uma série de variáveis de mercado.
Navios das rotas internacionais não farão escala em
Cuba apenas porque lá tem um novíssimo porto. Não é esta a lógica econômica que
determina os negócios. Mas, ainda que tudo dê certo no curto prazo para os
cubanos, como esperamos, o Brasil terá sido o único país a pagar US$ 1 bilhão
por aquilo que todas as nações terão sem desembolsar um centavo: o direito de
livre comércio com a ilha caribenha. Vai entender!
Por Nilson
Mello
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Em tempo
Comentário de Leitor - "Seu artigo sobre a meia-verdade é excelente. Tanto mais que você está corajosamente abordando um enfoque que está na moda ser considerado "politicamente incorreto".
Pena que as novas gerações estejam totalmente desinformadas sobre o que realmente aconteceu" - Henrique Flanzer, engenheiro.
Verdade - A entrevista do criminalista José Paulo Cavalcanti Filho, publicada no Estado de S. Paulo desta segunda-feira (15), confirma o artigo de sexta-feira passada (A Verdade) do Blog Meta Mensagem: a Comissão Nacional da Verdade apresentou apenas um lado da história em seu Relatório final entregue à Presidente da República. Membro da Comissão, Cavalcanti afirma que sempre defendeu que as vítimas dos grupos da esquerda armada também fossem relacionadas, mas sua posição não prevaleceu. A entrevista está no link que segue abaixo:
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Artigo
A verdade
O relatório final da Comissão Nacional da Verdade listando 377 agentes
públicos acusados de crimes contra a humanidade – a grande maioria deles
ocorrida durante a ditadura militar, anos 1964-1985 – e atestando que a tortura
foi, naquele período, uma “política de Estado” nos impõe algumas reflexões em
torno de quatro eixos.
O primeiro deles diz respeito à equiparação genérica dos personagens
listados, levando em determinados casos a acusações superficiais e não
individualizadas, o que, em parte, compromete a isenção e, portanto, a
credibilidade do próprio relatório.
Apenas para ficar num exemplo: o ex-presidente Ernesto Geisel e o
ex-ministro Golbery do Couto e Silva, artífice e executor, respectivamente, do
processo de redemocratização não poderiam estar no mesmo patamar do carcereiro que,
protegido pelo Estado de Exceção, deu vazão à sua natureza perversa na clandestinidade
dos porões do regime.
Geisel e Golbery lideraram, no embate contra os radicais, a contenção
dos excessos, como atestam autores independentes (entre os quais se destaca
Elio Gaspari). Se contribuíram para estruturar o “regime”, foram decisivos no
seu desmonte. Como colocar tudo num mesmo saco? Onde está o rigor indispensável
a um documento que se pretende de valor histórico?
O segundo eixo de reflexão deve considerar o paralelo com os dias de
hoje. A despeito da redemocratização e de Leis supervenientes que garantiram
aos cidadãos amplas garantias em face do poder coercitivo do Estado, os abusos
- tais como torturas de presos, prisões ilegais, condições carcerárias
desumanas - seguem acontecendo.
Por conta dessas mazelas que o Estado Democrático de Direito
pós-Constituição de 1988 ainda não foi capaz de estancar seria correto listar
os presidentes e ministros do período que se seguiu à redemocratização por
violação dos direitos humanos e colocá-los no mesmo hall do policial envolvido em umas das inúmeras chacinas que são
rotina em nosso noticiário? Parece claro que não.
O terceiro eixo de reflexão reforça o segundo e o primeiro. Regimes
autoritários como o que se instituiu num crescente a partir de 1964 são
deploráveis e devem ser evitados – e o melhor caminho para tanto é a defesa
incondicional das instituições democráticas. Porém, se o principal objetivo da
Comissão Nacional da Verdade é o resgate da, digamos, verdade histórica, com a
reconstrução dos acontecimentos, faltou a correta contextualização do período
1964-1985.
Aqueles que empunharam armas contra os governos militares que se
estabeleceram a partir de 1964 lutaram não por uma democracia como a que temos
hoje, mas para instituir um regime igualmente autoritário, apenas de orientação
marxista, como também atestam autores isentos, como Jacob Gorender (“Combate
nas Trevas”). Se o regime era
ditatorial, os seus oponentes também o eram, com a diferença de seguir doutrina
diversa. Neste aspecto, seria preciso analisar o período militar como efeito, e
não apenas como causa.
Uma comissão da Verdade teria por obrigação considerar esse contexto,
revelando a violência cometida pela “esquerda armada”. É claro que hoje,
décadas após o fim da Guerra Fria e o colapso dos regimes comunistas, tudo isso
parece ficção. Contudo, foi uma história bem real, e caberia à Comissão
Nacional da Verdade resgatá-la com todas as suas contradições, se o objetivo
era, de fato, a reconstrução da história.
A omissão pode ser explicada pelo quarto eixo da reflexão, que está
relacionado aos nomes que compuseram a Comissão, não totalmente isentos porque
de alguma forma associados ao lado que foi combatido pelo regime. Uma comissão
formada por historiadores, cientistas políticos e juristas independentes teria,
certamente, produzido resultado final mais rico e contextualizado.
A maior parte do relatório final da Comissão é, de fato, verdade. Mas é
apenas parte da verdade. E, do ponto de vista histórico, a meia verdade pode
ser quase tão nociva quanto a mentira.
Por Nilson Mello
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Anote
Irresponsabiilidade fiscal - Não existe dinheiro público. O que existe é dinheiro
do contribuinte, que deve ser administrado com responsabilidade pelos agentes
públicos e governantes. O Estado não produz riquezas. Quem produz riquezas são
os indivíduos, as famílias e as empresas, nas suas atividades regulares. O
Poder Público deve satisfação à sociedade pelo que faz com os tributos que
arrecada. O Estado não tem o direito de ser perdulário. Ele deve servir à
sociedade, e não se servir dela. Para quem acha que no Brasil o contribuinte ainda
é tratado como súdito (o que é uma verdade insofismável) vale a pena assistir
ao filmete no link abaixo.
Assinar:
Postagens (Atom)

