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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Artigo

O inventário de Lula

    O paroxismo do sofisma é refutar a realidade sem apresentar argumentos que possam  contraditá-la. No caso do ex-presidente Lula, seus seguidores não contestam as provas apresentadas, apenas alegam não haver provas. Ponto final. Como ilusionistas, tentam criar uma "nova" realidade em paralelo àquela em que de fato vivemos - e onde o ex-presidente foi investigado, denunciado, julgado e condenado dentro do devido processo legal.
    A prova de que sua defesa não foi cerceada - e que lhe foi garantida a ampla defesa - está no fato de que, desde 2016, seus advogados interpuseram cerca de 160 medidas judiciais contestando as acusações e opondo questões preliminares nos inquéritos e processos a que responde, em especial o do Triplex do Guarujá, no qual foi condenado a 9 anos e seis meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
    Lula afirma que o juiz Sergio Moro é surdo e por isso o condenou. Contudo, como é possível constatar por esses números acima, publicados pelo jornal O Globo nesta terça-feira (23/01), a Justiça ouviu tudo o que o ex-presidente e seus advogados disseram em sua defesa. Apenas nem sempre se convenceu de sua inocência.  Quando se convenceu, o absolveu, como no processo relativo ao acervo presidencial, em que ele também era acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Uma absolvição que dá ainda mais credibilidade às condenações.  
    Para os recalcitrantes, aqueles que, depois de tudo, ainda enxergam em Lula uma vítima, é oportuno observar um outro levantamento, esse feito pelo jurista e vereador em Porto Alegre Wambert di Lorenzo. Professor de Filosofia do Direito, Ciência Política e Direito Constitucional, Di Lorenzo fez um inventário do volume de acusações apresentadas contra Lula desde 2015.
    Temos o seguinte: nove denúncias oferecidas pelo Ministério Federal (entre as quais a que resultou em condenação a 9 anos e seis meses de prisão); nas denúncias, constam 246 acusações por lavagem de dinheiro, 21 por corrupção passiva, quatro por tráfico de influência, três por formação de quadrilha e duas por obstrução da Justiça.
    Os "ilusionistas", que desde ontem começaram a chegar a Porto Alegre, para acompanhar o julgamento dos recursos impetrados pela defesa contra a sentença condenatória de primeira instância no processo do Triplex, mantêm-se distante desses números. Criaram a sua própria realidade. Até aí, tudo bem: que vivam a sua fantasia. Só não está certo é querer impor ao restante dos brasileiros a crença na farsa.

 Por Nilson Mello

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Comentários do dia


A bela Luciana Genro

A candidata do PSOL – O agronegócio é uma ilha de excelência na economia brasileira, com alta produtividade (60% maior do que o dos Estados Unidos) e, por consequência, elevada competitividade. O setor é responsável hoje pela maior parte das divisas do país. Pois bem, a candidata do PSOL à Presidência, a gaúcha Luciana Genro, tem a receita certa para devastar a nossa economia do campo: o rígido controle estatal sobre os preços dos alimentos. Filha do ministro da Justiça, Tarso Genro, de quem se diz hoje à esquerda, ex-filiada do PT, Luciana tem, também, a fórmula para desmantelar de vez a credibilidade do Brasil: a suspensão incondicional do pagamento dos juros por parte do governo. Se dinheiro também é uma "mercadoria" e o juro, seu preço, quem vai querer emprestar dinheiro se não puder remunerar o empréstimo? E como a economia poderá se desenvolver sem a disponibilidade dos recursos financeiros? Qual a resposta, hein, candidata?
Boas intenções – Luciana Genro deve ser bem intencionada. Quer melhorar a distribuição de renda brasileira (de fato, ainda vergonhosa). Faltou apenas alguém lhe explicar, sem artifícios ideológicos, que o desenvolvimento econômico é condição para o desenvolvimento social. E o desmonte da economia de mercado não seria o caminho, haja vista os exemplos mundo afora. O respeito às regras da economia, sem artificialismos, deve ser o pressuposto de qualquer programa de desenvolvimento. Segurar preços equivaleria a desestimular a produção e provocar escassez, como ocorre hoje na bolivariana Venezuela. De quebra, a medida ainda alimentaria a inflação, na medida em que impõe uma demanda maior sobre uma oferta que tende a ser gradualmente menor, pressionando os preços. Algo parecido com o que ocorreu na Argentina, vizinho igualmente adepto do populismo e do voluntarismo econômico.
A debacle da indústria – Os resultados ruins apresentados este ano pelas fabricantes de automóveis – queda de 16,8% na produção, de 7,6% nas vendas internas e de 35,4% nas exportações no primeiro semestre – derrubaram o desempenho de toda a cadeia automotiva, informa o Estado de S. Paulo desta segunda-feira (25), comprometendo os segmentos como o de fabricantes de plásticos e de produtos com base no algodão, além de siderurgia e autopeças. Prova de que a política de expansão dos financiamentos, como forma de dar dinamismo à atividade econômica, tem limite. E o limite é o alto grau de endividamento do consumidor, já preocupado com a alta dos preços e as incertezas econômicas. As desonerações setoriais também não foram suficientes.
Choque de eficiência – Levantamento do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), conforme o jornal O Globo desta segunda-feira, revela que mais da metade dos principais setores da indústria ainda não se recuperaram da crise iniciada em 2008. Dos 23 segmentos pesquisados, 12 apresentaram queda nos últimos seis anos. Entre eles, o têxtil (-29,6%), o de produtos de informática (-25,1%) e o de veículos (-4,3%). Especialistas reconhecem o processo de desindustrialização e apontam a forte concorrência internacional como a principal causa. Então, o que fazer para dar um choque de eficiência à indústria nacional: continuar com as políticas de desonerações eletivas (que mascaram a ineficiência) ou começar a analisar seriamente uma reforma tributária que promova um melhor ambiente de negócios de forma linear? E que tal pensar seriamente em simplificação regulatória, diminuição de burocracia e aumento dos investimentos em infraestrutura, indispensáveis para dinamizar o setor produtivo?
(NM)