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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Artigo


A Argentina que recorre ao FMI


    Por trás de quase toda crise econômica existe um ativismo fiscal seguido de descontrole de gastos públicos. E por trás de quase todo descontrole fiscal existem ou existiram, por longo tempo, governos que instituíram modelos intervencionistas e estatizantes, quase sempre de viés populista, distantes das regras de mercado.
    A Argentina, que ora recorre mais uma vez ao FMI, não é exceção (outros exemplos são Grécia, Espanha, Portugal, hoje já livres da crise aguda, bem como a própria Venezuela bolivariana).
    O governo Macri tem orientação liberal, e foi eleito em oposição a esse ativismo fiscal da visão intervencionista/estatizante. Mas o que de fato dá caráter a uma economia não é o governo eleito, mas, sim, o arcabouço legal-regulatório em que ela (a economia) se assenta. Uma realidade que o governo Macri em tão pouco tempo não poderia mudar, sobretudo considerando os interesses políticos contrários.
    Seu governo deu tratamento realístico à inflação (livrando-a  da maquiagem de sua antecessora), chegou a promover uma Reforma da Previdência, que trará resultados consistentes no médio e longo prazos, mas não logrou êxito na Reforma Trabalhista - e há uma série de entraves burocráticos e regulatórios, que atingem diferentes setores da economia, a serem revistos.
    Para que a Argentina deixe para trás os ciclos viciosos de crise que há muito a tiraram do caminho do crescimento sustentável e da estabilidade (já foi um dos países mais prósperos do Mundo, no início do Século XX), deverá levar adiante reformas estruturantes que tornem o Estado menos pesado e dispendioso e a economia, mais ágil. O mesmo vale para o Brasil.

Por Nilson Mello

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

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A bela Luciana Genro

A candidata do PSOL – O agronegócio é uma ilha de excelência na economia brasileira, com alta produtividade (60% maior do que o dos Estados Unidos) e, por consequência, elevada competitividade. O setor é responsável hoje pela maior parte das divisas do país. Pois bem, a candidata do PSOL à Presidência, a gaúcha Luciana Genro, tem a receita certa para devastar a nossa economia do campo: o rígido controle estatal sobre os preços dos alimentos. Filha do ministro da Justiça, Tarso Genro, de quem se diz hoje à esquerda, ex-filiada do PT, Luciana tem, também, a fórmula para desmantelar de vez a credibilidade do Brasil: a suspensão incondicional do pagamento dos juros por parte do governo. Se dinheiro também é uma "mercadoria" e o juro, seu preço, quem vai querer emprestar dinheiro se não puder remunerar o empréstimo? E como a economia poderá se desenvolver sem a disponibilidade dos recursos financeiros? Qual a resposta, hein, candidata?
Boas intenções – Luciana Genro deve ser bem intencionada. Quer melhorar a distribuição de renda brasileira (de fato, ainda vergonhosa). Faltou apenas alguém lhe explicar, sem artifícios ideológicos, que o desenvolvimento econômico é condição para o desenvolvimento social. E o desmonte da economia de mercado não seria o caminho, haja vista os exemplos mundo afora. O respeito às regras da economia, sem artificialismos, deve ser o pressuposto de qualquer programa de desenvolvimento. Segurar preços equivaleria a desestimular a produção e provocar escassez, como ocorre hoje na bolivariana Venezuela. De quebra, a medida ainda alimentaria a inflação, na medida em que impõe uma demanda maior sobre uma oferta que tende a ser gradualmente menor, pressionando os preços. Algo parecido com o que ocorreu na Argentina, vizinho igualmente adepto do populismo e do voluntarismo econômico.
A debacle da indústria – Os resultados ruins apresentados este ano pelas fabricantes de automóveis – queda de 16,8% na produção, de 7,6% nas vendas internas e de 35,4% nas exportações no primeiro semestre – derrubaram o desempenho de toda a cadeia automotiva, informa o Estado de S. Paulo desta segunda-feira (25), comprometendo os segmentos como o de fabricantes de plásticos e de produtos com base no algodão, além de siderurgia e autopeças. Prova de que a política de expansão dos financiamentos, como forma de dar dinamismo à atividade econômica, tem limite. E o limite é o alto grau de endividamento do consumidor, já preocupado com a alta dos preços e as incertezas econômicas. As desonerações setoriais também não foram suficientes.
Choque de eficiência – Levantamento do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), conforme o jornal O Globo desta segunda-feira, revela que mais da metade dos principais setores da indústria ainda não se recuperaram da crise iniciada em 2008. Dos 23 segmentos pesquisados, 12 apresentaram queda nos últimos seis anos. Entre eles, o têxtil (-29,6%), o de produtos de informática (-25,1%) e o de veículos (-4,3%). Especialistas reconhecem o processo de desindustrialização e apontam a forte concorrência internacional como a principal causa. Então, o que fazer para dar um choque de eficiência à indústria nacional: continuar com as políticas de desonerações eletivas (que mascaram a ineficiência) ou começar a analisar seriamente uma reforma tributária que promova um melhor ambiente de negócios de forma linear? E que tal pensar seriamente em simplificação regulatória, diminuição de burocracia e aumento dos investimentos em infraestrutura, indispensáveis para dinamizar o setor produtivo?
(NM)