segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

COMENTÁRIOS DO DIA


     O advogado tributarista Vinícios Leôncio, de Belo Horizonte, é desses empreendedores natos. Natural de Iguatema, oeste mineiro, Leôncio, de 51 anos, saiu de casa cedo e foi tentar a vida em Belo Horizonte. Filho de pescador, queria ser advogado e seguiu ainda adolescente para a capital apenas com o dinheiro da passagem.
Pois bem, morou anos na rua, onde estudou Marx e Rousseau, entre outros autores, cursou Direito, formou-se com muito sacrifício e hoje é um renomado tributarista.
A vitoriosa trajetória de Vinícios Leôncio – uma deferência ao empenho, ao estudo e ao saber que contrasta com liderança auto-indulgente e leniente que recentemente encantou o país e o mundo – veio a público neste domingo em bela reportagem de Eduardo Kattah, do Estado de S. Paulo.
     A matéria relata o meticuloso trabalho desse advogado em reunir num único livro toda a legislação tributária brasileira, incluindo normas federais, estaduais e municipais. A obra está prevista para ser concluída em julho deste ano, com 43 mil páginas. Pronta, pesará mais de 6 toneldas – candidata certa ao livro dos recordes.

           
            Mas por que Leôncio, já próspero e bem-sucedido, lançou-se em 1992 a essa hercúlea missão?
     “A questão era justificar o peso que tem a burocracia tributária na economia das empresas e procurar saber por que o Brasil é o único país do mundo no qual as empresas consomem 2,6 mil horas anuais para liquidar seus impostos”, explica. Bingo!

Já em Cuba...

     A iniciativa individual procura a sua saída mesmo sob forte repressão e em ambiente econômico adverso. Em caso mais extremo, é o que relata em excelente artigo, também neste domingo (O Globo), a filóloga, “blogueira” e dissidente cubana Yoani Sánchez (imagem acima do texto). Veja um trecho em que ela comenta a tênue abertura econômica no zoológico de Fidel:
     “(...) Apesar da cautela de muitos, dos impostos ainda excessivos e da ausência de um mercado atacadista, os pequenos comerciantes começam a levantar a cabeça... A maioria tem a convicção de que desta vez chegou para ficar, porque o sistema que tanto os asfixiou já perdeu a capacidade de competir com eles”. Mais em http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=4567.
Leôncio estudou Marx, mas certamente aprendeu, na vida, que somente um sistema que reconheça o valor dos talentos individuais e do empreendedor, calcado no mérito e na ampla liberdade de escolha, pode gerar desenvolvimento e bem-estar coletivo.
Esse reconhecimento ainda está longe de ser o ideal no Brasil. Mas estamos muito além da farsa cubana, que pouco a pouco vai deixando de ser um paradigma para a “nossa” esquerda – ao menos para aquela mais comprometida com a verdade do que com os dogmas ideológicos.
    

    


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