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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

O respeito à imprensa



Os gestos e comentários grosseiros do presidente da República em relação a repórteres podem configurar quebra de decoro e até dar causa a processo de impeachment. O desdém e a postura ofensiva diante da imprensa são particularmente graves porque a atividade jornalística - independentemente de seus muitos erros - é imprescindível para o fortalecimento do Estado de Direito e a democracia.

É a partir da crítica e do contraditório que se aperfeiçoam as práticas públicas e os processos políticos. O papel do jornalista e dos meios de comunicação é mesmo questionar - e criticar. Não faz sentido um presidente da República adotar uma postura de permanente beligerância com jornalistas. Até porque o jornalista que comete abusos - como calúnia, injúria ou difamação - estará sempre sujeito a processos cíveis e criminais, dentro do que prevê a Lei. Neste sentido, nunca é demais lembrar que a liberdade de expressão não autoriza a mentira.

Ao preferir o caminho do enfrentamento ao do diálogo, com insinuações grosseiras, o presidente afasta o apoio de grande parte da sociedade - incluindo a parcela majoritária de seus eleitores em 2018 - e acaba por desestabilizar o próprio governo. Compromete programas e reformas importantes para o país. Fosse sereno e racional, ao invés de hostil e passional, isso por si só já seria razão suficiente para mudar a sua conduta. O bom governante conquista aliados, não cria inimigos nem fortalece adversários. (Por Nilson Mello)
PS:Coerência
As críticas e reprovação não podem ser seletivas, de acordo com a conveniência política. Só quem criticou os termos chulos, as grosserias, as piadas sexistas e homofóbicas, a embriaguez vulgar e até as bananas (pesquisem!) do ex-presidente Lula têm hoje autoridade para criticar o atual presidente ou qualquer outro. (NM)



quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Comentários


Entrevistas com candidatos



    Questionar entrevistado é uma obrigação de todo jornalista. Mas tratar entrevistados como adversários (inimigos?) é contraproducente. Descamba para um bate-boca ralo e primário. Iguala-se por baixo. Quem fica mal são os entrevistadores, para êxtase do candidato e de seus apoiadores.
    Fazer perguntas e interromper a resposta abruptamente, logo em seu início, em nada contribui para o esclarecimento da opinião pública. Ora, se não quer ouvir a resposta, para que a pergunta?
    Deve-se dar tempo ao candidato até para mentir - a cobrança e o questionamento devem vir na sequência, mas de forma serena, não com todos falando ao mesmo tempo.
    O modelo de entrevistas individuais na televisão com candidatos a presidente (e a governador) pode ser muito proveitoso, se o método for adequado. Por enquanto o método tem sido inadequado, com mais bate-boca do que esclarecimentos.

Por Nilson Mello

MemóriaHá exatos dois anos, eu publicava o seguinte aqui no meu Blog Meta Mensagem:
“Crueldade
    De todas as fantasias proferidas no plenário do Senado ontem, a mentira mais cruel foi a que justificou o rombo fiscal como necessário para garantir a manutenção de programas sociais. Ora, foi justamente a má gestão da economia que colocou em risco a manutenção destes programas (por sinal, indispensáveis num país desigual como o Brasil).
A segunda pior potoca (ou falácia) decorre da primeira. Ela tenta fazer incautos acreditarem que quem é critico do governo Dilma está contra os pobres. Este foi o pano de fundo da "defesa" ontem. Ora, quem mais perdeu com o desgoverno Dilma foram as camadas menos favorecidas da população. A renda média despencou nos últimos anos, por conta da inflação e do desemprego. A propósito, o povo foi à rua contra o impeachment?...” (Na coluna lateral do Blog, aí à direita, é possível fazer pesquisas de textos antigos).